FUTEBOL - Abel Bento rebate acusações de Flávio e de Diogo, ex-jogadores do U. Tomar

O União de Tomar respondeu às declarações de Flávio e Diogo, ex-jogadores do clube, no recente Hertz Desportivo. Os atletas manifestaram-se desiludidos com alguns responsáveis, disseram que não se sentiram acarinhados, pelo que a mudança de ares acabou por ser mesmo a melhor solução.

Flávio, por exemplo, deu conta de que Abel Bento o tinha classificado como «ingrato». O vice-presidente, em declarações à Hertz, admitiu esse termo e explicou as suas razões: «O ditado que diz "quem não se sente não é filho de boa gente" é uma realidade... Tive o cuidado de falar com o Flávio, disse-lhe directamente o que entendia e chamei-lhe ingrato. Recordo que, num torneio particular, o Flávio fez uma rotura de ligamentos. O U. Tomar, sabendo que ele estava lesionado, contratou-o e proporcionou-lhe a operação. O Flávio esteve mais de um ano em recuperação. Depois de recuperado, recebeu aquilo que o clube se comprometeu a pagar. Nunca esteve gratuitamente no clube. Recebeu tal e qual como os outros. Há que dizer que o Flávio se lesionou num torneio de futebol 7 na Nabância, na altura era atleta do Ferroviários, mas o União contratou-o! É por tudo isto que considero uma ingratidão. Ainda se estivéssemos a falar que o Flávio sai do U. Tomar para ganhar 200, 300, 400 ou 500 euros, teríamos de compreender. Mas estão em causa valores na ordem dos 50, 75 euros... ainda para mais quando estão em causa 60 quilómetros por dia em deslocações para treinos. Dou-me relativamente bem com o Flávio, mas isso não significa que fique satisfeito. Para além disso, quando lhe foi colocada a questão de contas em atraso, o Flávio deu a entender que o U. Tomar lhe devia uns milhares de euros... Mas o clube só deve cem euros! É importante que esta verdade venha ao de cima. Tanto ele como o Diogo deixam o clube pendurado pois não temos ninguém para as posições em causa. Tem de haver responsabilidades de parte a parte. Em relação ao Diogo, ainda neste aspecto das contas, pelas informações que recolhi, nada está em atraso pois alguém assumiu esta parte». Por sua vez, no que diz respeito a Diogo, as maiores queixas prenderam-se com o «pouco acompanhamento» que o atleta diz ter sentido do clube quando, em grande parte da última temporada, esteve lesionado. Abel Bento desmente esta versão: «Em relação ao Diogo como em qualquer participação ao seguro, tanto faz que seja de um sénior como de um iniciado, a partir do momento em que o clube faz essa participação à Companhia, o processo realiza-se entre o atleta, o médico e a própria Companhia de Seguros. Em nada mais o U. Tomar é ouvido... E o Diogo, que disse que eu fui uma desilusão, devia dizer em público quem é que lhe resolveu o problema, quem é que participou ao seguro, quem é que lhe telefonou sistematicamente a perguntar como é que as coisas estavam a correr e ainda quem é que o aconselhou... Porque aquilo que o Diogo fez é uma ingratidão! O Diogo nem homenzinho foi. Comprometeu-se com o nosso treinador que ficava, apesar de todas estas situações de que ele se queixa. Mas deu o dito por não dito. Há aqui muita falta de palavra. Tem muita qualidade como jogador mas como homem deixa muito a desejar. Isto para mim também funciona como uma lição... Apesar de ser vice-presidente do clube, estou mais ligado à formação e é assim que tenho de continuar». Abel Bento falou ainda de outra questão levantada por Diogo e Flávio, que consideraram que o clube dá mais atenção às camadas jovens do que aos seniores. O dirigente também não concorda com essa observação. Abel Bento até recordou um episódio em que se deslocou ao balneário para falar com os jogadores e, na altura, afirma que «foi gozado»: «No futebol jovem há doze ou treze equipas, pelo que é natural que mais pessoas acompanhem este sector, comparativamente com aquilo que acontece nos seniores. Nunca deixei de colaborar com o departamento sénior... O Eduardo que diga quem é que lhe resolve os problemas, com quem é que ele fala... Inclusivamente até fui ao balneário falar com os jogadores mas sai de lá extremamente zangado pois, enquanto eu estava a falar com eles, estavam no gozo comigo. E eu tenho idade para ser pai deles! Não admito que gozem comigo! Muita da sobrevivência do clube passa pela secção juvenil. Não há divisão nenhuma no clube. Às vezes quer passar-se uma imagem de que os jogadores não são acarinhados. É mentira! Perguntem aos jogadores! O Flávio e o Diogo saíram apenas por razões financeiras mas, apesar disso, desejo-lhes tudo de bom».